Será lançado em Mato Grosso, no dia 10 de julho, a partir das 18 horas e 30 minutos, no auditório da livraria Janina do Pantanal Shopping, o segundo livro do escritor Teodorico Campos de Almeida Filho. O novo romance retrata acontecimentos sócios religiosos ocorridos na década de 1930 em várias regiões do estado, cujos líderes carismáticos aglutinaram em torno de si quantidade significativa de seguidores, esperançosos de melhores dias, alicerçados na fé. O livro Tristes Ais, livremente inspirados nesses acontecimentos, traz a baila a história da Batica dos Tristes Ais, personagem fictícia, mulher rejeitada por ser havida por lelé da cuca. Após engravidar do Zalongão, ambos são expulsos, ajuntando os trapos, indo morar num lugar isolado, sobrevivendo inicialmente da caça e da pesca.
Nesse contexto de penúria, sem nenhuma perspectiva de melhores dias, Batica dos Tristes Ais encontra-se com uma mulher morena, de feição indefinida, que se auto intitula “Nossa Senhora do Santo Cristo”. A partir desse encontro a mulher se torna milagreira, atraindo pessoas em busca de cura. Em pouco tempo o rancho donde morava tornou-se num fervilhante local de peregrinação. Para os esquecidos, abandonados nos grotões do mundo, renasceu a esperança em melhores dias, vislumbrando a terra prometida. Em Tristes Ais o autor resgata essa página da história, bem como a própria mitologia pantaneira e o jogo político, tão peculiar a esta terra sem lei ainda nos dias de hoje, cuja justiça era emblematicamente representada pelo calibre 44, a lei do mais forte, da força das armas, da mira certeira, do atirar primeiro. Tristes Ais, apesar de nos brindar com algumas histórias hilárias, é uma obra realista, triste, pois nos mostra as agruras da vida, as dores da alma, o cotidiano do cidadão comum, esse ser abandonado ao léu, lembrado apenas em época de eleição, verdadeira massa de manobra nas mãos dos poderosos, os donos do poder. Batica representa essa gente sofrida, discriminada, à margem da sociedade, pessoas movidas unicamente pela crença de que o amanhã será melhor, pois acreditam que a virtude é mais desejável que o ouro.
Tristes Ais, a comunidade fundada pela Batica, salta aos olhos como história inacabada, de cenas dos próximos capítulos da novela de nossas vidas, do círculo vicioso da maldade, da corrupção e dos escândalos políticos que tenazmente permeia a história de Mato Grosso. Batica dos Tristes Ais ousou desafiar o status quo ao estabelecer-se como líder religiosa, capaz de atemorizar os detentores do poder, receosos de um novo tempo, no qual ela alçaria voo nas asas da liberdade, pousando sobre eles. A obra traz em suas páginas o quão cruel o ser humano pode ser ao defender seus ideais e, principalmente, a sua posição social. Na defesa do que julga ser o melhor, amparado no direito por dominação, a casta dominante usa de métodos alienatórios e violentos para manter-se no poder. Assim, a realidade suplante a ficção.
Para os amantes da literatura eis uma ótima dica de leitura. O livro pode ser adquirido através dos sites www.biblioteca24horas.com, (inclusive no formato e-book) e www.amazon.com, e a partir do dia 10 de julho estará disponível na Livraria Janina. Outro fato importante é que o autor, a convite da sua editora, estará participando no dia 24 de agosto do corrente ano da 23ª Bienal do Livro, que acontecerá no Pavilhão de Exposições Anhembi, em São Paulo, entre os dias 22 e 31 de agosto.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Centros de Treinamentos não ficarão totalmente prontos em Cuiabá
O fiasco na realização da Copa do Mundo no Brasil continua: Os dois COTs (Centro Oficial de Treinamento) que estão sendo construídos em Mato Grosso para o Mundial não ficarão prontos. A conclusão é do Tribunal de Contas do Estado do Estado.
Os Centros Oficiais de Treinamento do Pari e da UFMT servirão para a preparação das seleções em seus treinamentos diários durante a Copa do Mundo.
Juntos, os centros vão custar mais de R$ 40 milhões, recursos públicos da União e do Estado. O valor não inclui o custo dos equipamentos que serão adquiridos para equipar os estádios, como câmeras e sistemas de segurança e equipamentos esportivos e de fisioterapia.
Foram vistoriadas 16 obras (17 contratos) que a Secopa assumiu o compromisso de entregar até 31 de maio, são elas:
Duplicações da Estrada da Guarita, da Rodovia Mário Andreazza, as trincheiras Santa Isabel/Verdão, a do Santa Rosa, a da Avenida dos Trabalhadores à Avenida Jurumirim, duplicação da Avenida Arquimedes Pereira Lima, complexo Viário do Tijucal, restauração da Avenida 8 de abril com implantação coletor tronco Córrego Mané Pinto, restauração de ruas entorno Arena Pantanal (dois contratos 40 e 60 de 2012), viaduto Dom Orlando Chaves , construção da Avenida Parque do Barbado, construção dos Centros Oficiais de Treinamento UFMT e da Barra do Pari, reforma e ampliação do Aeroporto Marechal Rondon e implantação do FIFA FAN FEST.
Os Centros Oficiais de Treinamento do Pari e da UFMT servirão para a preparação das seleções em seus treinamentos diários durante a Copa do Mundo.
Juntos, os centros vão custar mais de R$ 40 milhões, recursos públicos da União e do Estado. O valor não inclui o custo dos equipamentos que serão adquiridos para equipar os estádios, como câmeras e sistemas de segurança e equipamentos esportivos e de fisioterapia.
Foram vistoriadas 16 obras (17 contratos) que a Secopa assumiu o compromisso de entregar até 31 de maio, são elas:
Duplicações da Estrada da Guarita, da Rodovia Mário Andreazza, as trincheiras Santa Isabel/Verdão, a do Santa Rosa, a da Avenida dos Trabalhadores à Avenida Jurumirim, duplicação da Avenida Arquimedes Pereira Lima, complexo Viário do Tijucal, restauração da Avenida 8 de abril com implantação coletor tronco Córrego Mané Pinto, restauração de ruas entorno Arena Pantanal (dois contratos 40 e 60 de 2012), viaduto Dom Orlando Chaves , construção da Avenida Parque do Barbado, construção dos Centros Oficiais de Treinamento UFMT e da Barra do Pari, reforma e ampliação do Aeroporto Marechal Rondon e implantação do FIFA FAN FEST.
Esquema da Operação Ararath pagou gastos eleitorais em MT, diz PF
A Polícia Federal afirma que o principal operador do esquema de lavagem de dinheiro que abasteceu campanhas eleitorais e pagou propina em Mato Grosso agia a mando do senador Blairo Maggi (PR) e do governador Silva Barbosa (PMDB). Eder Moraes, ex-secretário da Fazenda de Blairo, está preso em Brasília, acusado de operar milionário esquema de lavagem de dinheiro por meio de instituição financeira clandestina.
Maggi governou Mato Grosso até 2010, quando renunciou para disputar o Senado. Silval, que era o vice, assumiu e foi reeleito naquele ano.
A conclusão da PF tem base, entre outros documentos, em delação premiada feita por um dos principais integrantes do esquema, o empresário Gércio Marcelino Mendonça Filho, que entre 2005 e 2013 concedeu empréstimos em Mato Grosso por meio de uma empresa de factoring e de sua rede de postos de combustíveis, que funcionavam como instituições financeiras clandestinas, conforme o Ministério Público.
Ele decidiu fazer a delação após ser envolvido nas investigações da Operação Ararath, que nesta terça-feira, 2o, teve a quinta fase desencadeada, na qual foram presos Moraes e o deputado estadual José Riva (PSD).
Mendonça disse aos investigadores que, nas eleições de 2008 e 2010, fez empréstimos a Silval que seriam, segundo relato do governador ao delator, “para fins de campanha eleitoral”.
Ele revelou que, em 2008, emprestou R$ 4 milhões para o governador, a pedido do próprio. “Silval Barbosa relatou ao depoente que o empréstimo era para ser utilizado para as eleições municipais daquele ano para fundos do PMDB”, diz a PF. “Silval afirmou que o governador Blairo Maggi tinha conhecimento de que tomaria dinheiro emprestado em alguma factoring”.
Em 2010, segundo Mendonça, Silval o chamou em seu apartamento e lhe pediu R$ 7 milhões, dos quais R$ 4 milhões foram emprestados, a juros de 3% ao ano. Além disso, ele afirmou ter gasto mais R$ 300 mil para pagar pesquisas eleitorais encomendadas por Barbosa e R$ 150 mil para gastos da convenção do PMDB como ônibus, comida e água. O Estado não encontrou registros oficiais desses empréstimos como doações para as campanhas.
No caso de Blairo Maggi, as revelações do delator, somadas a documentos obtidos em operações de busca e apreensão, levaram o Ministério Público a concluir que há indicativos de que, em 2009, quando era governador, ele pegou ao menos dois empréstimos em um banco, dissimulando sua condição de tomador.
Esses empréstimos estariam relacionados a empresas de Mendonça. Segundo a Procuradoria, Maggi “obteve” do empresário R$ 4 milhões em favor de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. O conselheiro receberia a quantia para deixar o TCE e abrir a vaga para um aliado do governo.
Defesa. Por meio de sua assessoria, Maggi informou que não tem nenhuma relação com os fatos apontados na Operação Ararath. O senador está “indignado”, segundo a assessoria. Maggi afirmou que “quem está falando em seu nome está mentindo” e disse que “nunca conversou” com o delator e que, quando retornar da Europa, se convidado a depor, “prestará todos os esclarecimentos”.
Fernando Gallo – Estadão
Maggi governou Mato Grosso até 2010, quando renunciou para disputar o Senado. Silval, que era o vice, assumiu e foi reeleito naquele ano.
A conclusão da PF tem base, entre outros documentos, em delação premiada feita por um dos principais integrantes do esquema, o empresário Gércio Marcelino Mendonça Filho, que entre 2005 e 2013 concedeu empréstimos em Mato Grosso por meio de uma empresa de factoring e de sua rede de postos de combustíveis, que funcionavam como instituições financeiras clandestinas, conforme o Ministério Público.
Ele decidiu fazer a delação após ser envolvido nas investigações da Operação Ararath, que nesta terça-feira, 2o, teve a quinta fase desencadeada, na qual foram presos Moraes e o deputado estadual José Riva (PSD).
Mendonça disse aos investigadores que, nas eleições de 2008 e 2010, fez empréstimos a Silval que seriam, segundo relato do governador ao delator, “para fins de campanha eleitoral”.
Ele revelou que, em 2008, emprestou R$ 4 milhões para o governador, a pedido do próprio. “Silval Barbosa relatou ao depoente que o empréstimo era para ser utilizado para as eleições municipais daquele ano para fundos do PMDB”, diz a PF. “Silval afirmou que o governador Blairo Maggi tinha conhecimento de que tomaria dinheiro emprestado em alguma factoring”.
Em 2010, segundo Mendonça, Silval o chamou em seu apartamento e lhe pediu R$ 7 milhões, dos quais R$ 4 milhões foram emprestados, a juros de 3% ao ano. Além disso, ele afirmou ter gasto mais R$ 300 mil para pagar pesquisas eleitorais encomendadas por Barbosa e R$ 150 mil para gastos da convenção do PMDB como ônibus, comida e água. O Estado não encontrou registros oficiais desses empréstimos como doações para as campanhas.
No caso de Blairo Maggi, as revelações do delator, somadas a documentos obtidos em operações de busca e apreensão, levaram o Ministério Público a concluir que há indicativos de que, em 2009, quando era governador, ele pegou ao menos dois empréstimos em um banco, dissimulando sua condição de tomador.
Esses empréstimos estariam relacionados a empresas de Mendonça. Segundo a Procuradoria, Maggi “obteve” do empresário R$ 4 milhões em favor de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. O conselheiro receberia a quantia para deixar o TCE e abrir a vaga para um aliado do governo.
Defesa. Por meio de sua assessoria, Maggi informou que não tem nenhuma relação com os fatos apontados na Operação Ararath. O senador está “indignado”, segundo a assessoria. Maggi afirmou que “quem está falando em seu nome está mentindo” e disse que “nunca conversou” com o delator e que, quando retornar da Europa, se convidado a depor, “prestará todos os esclarecimentos”.
Fernando Gallo – Estadão
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Blairo Maggi está entre os investigados na Operação Ararath
O senador licenciado Blairo Maggi (PR-MT) é um dos investigados em inquérito que resultou na operação “Ararath”. A Polícia Federal (PF), que deflagrou nesta terça-feira (20) a quinta etapa da Operação, apura crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro em esquema envolvendo factorings. Por conta da figura de Maggi nas investigações, o inquérito está no Supremo Tribunal Federal (STF), já que, na condição de senador, ele desfruta de foro privilegiado na corte.
No STF desde março, o inquérito está sob sigilo e sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. Foi aberto para apurar indícios de lavagem de dinheiro e inclui o conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso, o ex-deputado Sérgio Ricardo de Almeida, e o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), além de Maggi, Silval, Riva e Éder.
O Ministério Público queria que fossem realizadas busca e apreensão na casa e no escritório de Maggi mas Toffoli negou o pedido. Segundo ele, os indícios não eram suficientes para autorizar a medida.
A assessoria de Maggi, que foi governador de Mato Grosso, informou que ele está na Europa tratando de assuntos particulares e que, quando retornar, ele vai tomar conhecimento das investigações e, se necessário, prestará depoimento. “Ele jamais se furtará aos esclarecimentos”, disse a assessoria.
O esquema
Sabe-se que a PF investiga suposto desvio de recursos públicos que teriam sido “lavados” por meio de factorings. A emissão de cartas de crédito a servidores públicos de Mato Grosso e o pagamento de milionários precatórios judiciais a empreiteiras pelo governo mato-grossense também estariam sendo investigados.
A pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), o STF proibiu a PF de divulgar qualquer informação à imprensa sobre essa fase da operação. Portanto, não há informações oficiais sobre a suposta participação de cada um dos suspeitos.
No STF desde março, o inquérito está sob sigilo e sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. Foi aberto para apurar indícios de lavagem de dinheiro e inclui o conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso, o ex-deputado Sérgio Ricardo de Almeida, e o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), além de Maggi, Silval, Riva e Éder.
O Ministério Público queria que fossem realizadas busca e apreensão na casa e no escritório de Maggi mas Toffoli negou o pedido. Segundo ele, os indícios não eram suficientes para autorizar a medida.
A assessoria de Maggi, que foi governador de Mato Grosso, informou que ele está na Europa tratando de assuntos particulares e que, quando retornar, ele vai tomar conhecimento das investigações e, se necessário, prestará depoimento. “Ele jamais se furtará aos esclarecimentos”, disse a assessoria.
O esquema
Sabe-se que a PF investiga suposto desvio de recursos públicos que teriam sido “lavados” por meio de factorings. A emissão de cartas de crédito a servidores públicos de Mato Grosso e o pagamento de milionários precatórios judiciais a empreiteiras pelo governo mato-grossense também estariam sendo investigados.
A pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), o STF proibiu a PF de divulgar qualquer informação à imprensa sobre essa fase da operação. Portanto, não há informações oficiais sobre a suposta participação de cada um dos suspeitos.
Operação da Polícia Federal atinge cúpula política de Mato Grosso
Esquema envolve integrantes dos Três Poderes. Ex-presidente da Assembleia Legislativa e deputado estadual estão entre os presos
Deflagrada ontem, a quinta fase da Operação Ararath, que investiga crimes financeiros e lavagem de dinheiro praticados por pelo menos 59 pessoas, entre físicas e jurídicas, resultou na prisão de dois importantes políticos de Mato Grosso. O deputado estadual José Geraldo Riva (PSD), ex-presidente da Assembleia Legislativa mato-grossense, e o ex-secretário da Fazenda Éder Moraes foram detidos em Cuiabá pela Polícia Federal (PF) e trazidos para Brasília. O governador do estado, Silval Barbosa (PMDB), também recebeu voz de prisão, em flagrante, por posse ilegal de uma pistola calibre .380 descoberta pelos agentes durante uma busca no apartamento onde mora. Depois de quatro horas detido, pagou R$ 100 mil de fiança e foi liberado.
Riva e Moraes prestarão depoimento em Brasília sobre o esquema de desvio de recursos públicos. Também estão na mira dos investigadores outras transações anômalas, como a emissão de cartas de crédito do governo estadual a servidores públicos e o pagamento de precatórios milionários a empresas citadas no inquérito. A suspeita é de que o grupo criminoso — com o uso de factorings (empresas que compram duplicatas e cheques com deságio) de fachada — tenha movimentado cerca de R$ 500 milhões nos últimos seis anos. O esquema pode ter a participação de membros do Legislativo, do Executivo, do Judiciário, do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e até do Ministério Público (MP) local.
A PF realizou ontem apreensões no gabinete do prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSD), e na sala do promotor de Justiça Marcos Regenold, integrante do grupo que investiga crime organizado no estado. Em nota, o MP admitiu que os mandados cumpridos, até na casa do governador, “visam buscar e apreender eventuais documentos que possam elucidar possível relação do membro do MP com o investigado Éder de Moraes Dias”. Entre dezembro e fevereiro passados, o ex-secretário da Fazenda estadual, agora preso, procurou Regenold para apresentar documentos e a própria versão dos fatos. Além deles, o atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Sérgio Ricardo e seu antecessor no posto, Alencar Soares, foram alvo de buscas ontem. A PF suspeita de “venda” de vaga no TCE.
Sigilo
Como o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a divulgação de informações sobre a Operação Ararath, as suspeitas que pesam contra os dois presos e as 30 pessoas conduzidas e obrigadas a prestar depoimento são preservadas pela PF. Quanto a Éder Moraes, recaem desconfianças de que ele seja peça central no esquema criminoso. Foi secretário da Fazenda e da Casa Civil, é filiado ao PMDB e teve participação no governo do senador licenciado Blairo Maggi (PR), além do atual, de Silval Barbosa. Em 2011, deixou o primeiro escalão do governo mato-grossense para presidir a extinta Agência de Execução de Projetos da Copa (Agecopa), transformada em Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa). Hoje, atua como apresentador de um programa de televisão. O outro preso, Riva, tem longo histórico de problemas com a Justiça (leia Personagem da notícia).
Correio Braziliense
Deflagrada ontem, a quinta fase da Operação Ararath, que investiga crimes financeiros e lavagem de dinheiro praticados por pelo menos 59 pessoas, entre físicas e jurídicas, resultou na prisão de dois importantes políticos de Mato Grosso. O deputado estadual José Geraldo Riva (PSD), ex-presidente da Assembleia Legislativa mato-grossense, e o ex-secretário da Fazenda Éder Moraes foram detidos em Cuiabá pela Polícia Federal (PF) e trazidos para Brasília. O governador do estado, Silval Barbosa (PMDB), também recebeu voz de prisão, em flagrante, por posse ilegal de uma pistola calibre .380 descoberta pelos agentes durante uma busca no apartamento onde mora. Depois de quatro horas detido, pagou R$ 100 mil de fiança e foi liberado.
Riva e Moraes prestarão depoimento em Brasília sobre o esquema de desvio de recursos públicos. Também estão na mira dos investigadores outras transações anômalas, como a emissão de cartas de crédito do governo estadual a servidores públicos e o pagamento de precatórios milionários a empresas citadas no inquérito. A suspeita é de que o grupo criminoso — com o uso de factorings (empresas que compram duplicatas e cheques com deságio) de fachada — tenha movimentado cerca de R$ 500 milhões nos últimos seis anos. O esquema pode ter a participação de membros do Legislativo, do Executivo, do Judiciário, do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e até do Ministério Público (MP) local.
A PF realizou ontem apreensões no gabinete do prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSD), e na sala do promotor de Justiça Marcos Regenold, integrante do grupo que investiga crime organizado no estado. Em nota, o MP admitiu que os mandados cumpridos, até na casa do governador, “visam buscar e apreender eventuais documentos que possam elucidar possível relação do membro do MP com o investigado Éder de Moraes Dias”. Entre dezembro e fevereiro passados, o ex-secretário da Fazenda estadual, agora preso, procurou Regenold para apresentar documentos e a própria versão dos fatos. Além deles, o atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Sérgio Ricardo e seu antecessor no posto, Alencar Soares, foram alvo de buscas ontem. A PF suspeita de “venda” de vaga no TCE.
Sigilo
Como o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a divulgação de informações sobre a Operação Ararath, as suspeitas que pesam contra os dois presos e as 30 pessoas conduzidas e obrigadas a prestar depoimento são preservadas pela PF. Quanto a Éder Moraes, recaem desconfianças de que ele seja peça central no esquema criminoso. Foi secretário da Fazenda e da Casa Civil, é filiado ao PMDB e teve participação no governo do senador licenciado Blairo Maggi (PR), além do atual, de Silval Barbosa. Em 2011, deixou o primeiro escalão do governo mato-grossense para presidir a extinta Agência de Execução de Projetos da Copa (Agecopa), transformada em Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa). Hoje, atua como apresentador de um programa de televisão. O outro preso, Riva, tem longo histórico de problemas com a Justiça (leia Personagem da notícia).
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